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Livro de recados de Pacco

Pacco
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O MAQUINISTA

I
Minha primeira Fantasia
Transformou-se em Sinfonia —
Repleta de aventura.
Era u’a simples melodia
Que sonhei, num belo dia —
Reger na partitura.

Quando acordei, naquele dia...
Oh! Quantas imagens eu via...!
Pareciam bem reais.
Inda estava mui confuso,
Ao ver tudo aquilo incluso —
Para mim era demais.

Achei que estivesse a sonhar...
E comecei a m’enfronhar
Naquilo que sentira.
U’a Viola e um Violoncello,
Soava um som singelo...
Foi tudo qu’eu ouvira.

Com’um passo de mágica...
A inspiração foi lógica —
Entendi como ‘screver!
A Orquestra soava inteira,
Uma total "quebradeira" —
Difícil de descrever!

"Poco a poco" foi crescendo
O qu’eu ia escrevendo —
Na mor seriedade!...
Mui "allegro" em cada trecho,
Sincronizava o desfecho...
Co’ mais sonoridade.

O Maquinista — mui moço...
Deslizava em "più mosso" —
O trem Maria Fumaça.
Num dueto... Solfejava
U’a melodia em oitava,
"Dolce" e cheia de graça.

Vibrava o tom em Ré menor,
Co’a sonoridade — Tenor...
Às vezes — Barítono!
Entrelacei todos os sons
Diatônicos e semitons —
Numa manhã d’Outono.

Já estava chegando o Inverno...
Quando mudei de caderno —
Pr’aumentar a percussão.
Adicionei mais Tímpano —
P’ra executar co’o Piano,
E ‘screvi u’a progressão.

De repente, veio um breque,
Por causa d’um calhambeque —
Cruzando a linha do trem.
Foi um enorme sacolejo,
Que assustou o sertanejo —
Lá naquela passagem.

II
Máquinas em movimento
Contrário — deslumbramento
No eco das cruzadas.
Quando estrugiam os tambores...
Lembravam os compositores —
Nas grades sincopadas.

Belo comboio — tão longo...
Dançava com’um fandango,
A balançar co’o vento.
Estava em terra espanhola,
Quando vinha a ventarola —
Dos trens no cruzamento.

Passavam tão velozmente —
Que o som soava na mente,
Um zunir d’arrepiar.
Soava um belo harmônico...
Pena que foi lacônico,
E não deu p’ra copiar.

III
Assim que saí da Espanha...,
Surgiu u’a linda montanha,
E havia um grupamento.
Um barulho ensurdecedor...
Dos cavalos sobre o pendor —
Num festival sangrento.

Nesse instante, vi os Índios
A defender seus princípios —
Na invasão da terra.
As mulheres com seus filhos,
Outros na beira dos trilhos,
U’a verdadeira guerra!

Soldados co’as suas bandeiras,
Saltavam sobre as caldeiras...
Num gesto ameaçador.
Na tribo, os grandes guerreiros,
Dão sinais pros estrangeiros —
Que não são da mesma cor.

IV
Nos grandes montes gelados...
Uns véus de noiva nos lados —
A encher de alegria...
Inda naquele momento...
Que ‘stava em deslizamento —
Parecia u’a sangria.

Nas cordilheiras de gelo...
Tratei de usar um capelo —
Para não me resfriar.
O frio era muito intenso,
Chegava a ficar mui tenso,
Mas ficava a inebriar.

V
Quando vi — o país Brasil...
Verde, amarelo, azul anil...
Num alegre festival...
Grandes escolas de samba,
No batuque da macumba —
Majestoso carnaval.

Orixá, Saravá, Xangô...
Baiana, pisa na “fulô”...
Estandarte e boneco.
Na barrica — o som do tambor,
Surdo, tamborim e agogô...
Pandeiro e reco-reco...

Rei Momo, co’as suas mulatas...
Nos carros co’os diplomatas,
A luzir e a perfilar.
Passistas, porta-bandeira,
Mestre-sala e capoeira —
N’avenida a desfilar.

VI
Passando pela África...
Olhei uma jaguatirica
Na beira d’uma cascata.
Fiquei tão maravilhado
Com aquele animal malhado...
Que se embrenhou na mata.

Opa! Calma — Elefantes!...
Avistei dois brutamontes
Com suas orelhas longas...
Eram a mãe e seu filhote,
Que estavam em convescote,
Numa daquelas bandas.

Transformei em acalento,
E adagio no andamento —
U’a melodia sutil.
Cantava em modo dórico...
Um ingênuo canto lírico,
Àquele bebê gentil.

VII
Logo ao sair da África...
Dei de frente co’a fábrica,
E saía um caminhão...
Já estava em Nova Iorque,
Quando houve um entrechoque —
U’a tremenda colisão.

Mudei a escala harmônica —
Toda p’ra hexafônica —
Inspirado em Debussy.
Tensão n’atonalidade —
Contraponto e austeridade —
Movimento em frenesi.

Estava agora em direção
Ao centro — num’apresentação
D’um desfile militar!...
Foi um corre-corre — geral!...
A banda em frente à catedral,
Começou a transitar...

O trem perdera o seu freio,
E a multidão — no passeio...
Sem saber o que fazer.
Mas, o andamento era più,
Por sorte, ninguém se feriu —
P’ra não ter o que dizer.

O desespero foi total!...
O trem intercontinental —
Saía da cidade...
O Maquinista, assertiva,
P’ra toda sua comitiva —
Que fora u’a novidade.

VIII
No deserto do Saara...
Precisou usar máscara,
Para cobrir seu rosto.
O vento soprava a areia...
Que enfraqueceu a correia —
Logo do lado oposto.

O pé de vento balançou
Tod’o comboio, e castigou
Seu desenvolvimento.
Estava a cento e cinquenta...
E no meio d’uma tormenta...
Surgiu um vazamento.

Balançou p’ra lá e p’ra cá...
Travou inteira a‘lavanca,
E não tinha o que fazer.
Nesse instante — só restava
Rezar — para que a trava
Pudesse se refazer.

Se ao menos tivesse freio...
Não teria tanto anseio,
E poderia parar.
Mas, nem podia examinar...
A ventania ia lhe jogar
Para fora e afugentar.

IX
Quando decidi que a história,
Tinha que ser a trajetória —
Em direção ao Japão...
Vi a ponte estremecendo —
De ponta a ponta, e, tremendo
Os trilhos com’um cordão.

Um terremoto — assustador!...
O Maquinista e o contador
Sorriam da agitação.
Quando a Maria Fumaça —
Passou!... Quebrou a vidraça,
A corrente e a ignição.

Por sorte, a ponte veio ao chão...
Depois que o trem passou o cordão —
Na rigorosa pressa.
Os destroços alargados,
Mostrando os antepassados,
E o som do sino — cessa!

Por alguns minutos — calou!...
Só se ouviu o som que soou
Da ponte a desmoronar.
Foi um barulho estridente,
Que alertou — toda essa gente —
A cantar p’ra não chorar.

Não era u’a escala eufônica,
E sim, u’a pentatônica...
E o sino volta a soar!
Descompassado — é certo!...
Não era nenhum concerto,
A não ser — p’ra unificar.

Depois que vi a fronteira...
Não passou d’uma zonzeira —
Que jamais imaginei!
Fiquei tão impressionado,
Co’ aquele imenso tornado...
Mas agora, é qu’eu sei!...

Sei o quanto vale a pena,
Ter esperança — na arena,
Enquanto estiver vivo!
A cega e inútil solidão...
Só dilacera o coração —
Num punhal alusivo.

X
Num desfiladeiro extenso,
Fui embrenhando, descenso —
Até o centro da terra!
Ouvia um incomparável
Flagelo, incomensurável —
Na escura e longa serra.

Nos báratros, lá, bem fundo...
Revelava um além-mundo —
De poços escabrosos.
As lavas encobriam os trilhos,
Formando vários fornilhos —
Um tanto lamentosos.

Logo ao entrar na caverna...
Surgiram várias cisternas,
De torrentes lamaçais.
Um clarão incandescente
Abrasava as nossas mentes,
Num tormento, ouvindo os ais.

Um estranho mau cheiro no ar,
Começou a aterrorizar
Todos os passageiros.
Parecia entrar nu’a sauna,
Que ia ‘squentando a noss’alma,
Tal qual um fogareiro!

O abrasamento era ardente...
Chegava a ranger os dentes —
Difícil de suportar.
Mas..., continuei a escrever,
Com o meu suor a derreter —
O qu’eu vira p’ra contar.

Vi tod’os meus inimigos —
Lamentando dos castigos —
A chorar de tanta dor.
Nas lágrimas dos errantes —
Saltavam várias serpentes,
E ficavam ao seu redor.

Infinitos gritos d’horror...
Quando vinha o dominador —
Fazer mais um suplício.
As correntes torturavam
Os rebeldes... E os jogavam
Num enorme precipício.

Ó lívidos murmurantes!...
Por que não chorastes antes,
Quando inda eram vivos?...
A assombrosa desventura
Destroça — tod’a ossatura...
Dos gestos ofensivos.

XI
Ao longe..... Roda gigante,
Carrosséis, circo e mirante —
Pr’alegrar o coração.
Para erguer — sua bandeira...
Na vida..... De brincadeira —
No parque de diversão!

— "Senhor... O parque vai fechar!..."

Paulo Costa (Pacco)

Essa poesia e o poema sinfônico são dedicados ao professor Nikolaus Schevtshenko.
20:41 - 20/12/2009
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A MAGIA DO TEMPO

Ao jovem amigo Emerson de Angelo

Hoje em seu coração, o vento sopra com afetividade —
Uma adornada canção — que Deus criou na afinidade,
Para alegrar este belo dia.
Na adolescência, a fantasia pelo encanto de viver...
Seguindo o curso da natureza, para crescer
Numa imensa orquestra de alegria.

O tempo é a beleza e a proeza de esculpir o ardor...
O ardor da serenidade e da sinceridade
Que vem com o vento, no tempo;
Num tempo calmo e sereno.

O vento é a magia que nos traz a felicidade,
A dor... Essa dor que nos fortalece
Contra as intempéries d’amargura.

O vento também nos traz a temperança...
Mas, tempestades ao vento, no tempo virão;
Virão como ensinamentos, reflexos à introspecção,
E passarão como brisa nos acariciando
E nos acalentando.

Não podemos e nem devemos tentar mudar
O curso da simplicidade,
Da determinação, da sensibilidade...
E nem tampouco o da realidade.

A magia do tempo que vem com o vento...
É a virtude e a plenitude intrínseca de toda a sabedoria.

*****

Parabéns pra você e, que esta data se reproduza por muitos anos.
Feliz Aniversário!

Paulo Costa (Pacco)
03:22 - 04/10/2009
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PERSEVERANDO

A águia é o gênio... Da tormenta o pássaro,
Que do monte arremete o altivo píncaro,
Qu’ergue um grito aos fulgores do arrebol,
Cuja garra jamais se peia em lodo,
E cujo olhar de fogo troca raios
– Contra os raios do sol.

Não tem ninho de palhas... tem um antro
– Rocha talhada ao martelar do raio,
– Brecha em serra, ante a qual o olhar tremeu...
No flanco da montanha – asilo trêmulo,
Que sacode o tufão entre os abismos
– O precipício e o céu.

Nem pobre verme, nem dourada abelha,
Nem azul borboleta... sua prole
Faminta, boquiaberta, espera ter...
Não! São aves da noite, são serpentes,
São lagartos imundos que ela arroja
Aos filhos p’ra viver.

Ninho de rei!... palácio tenebroso,
Que a avalanche a saltar cerca tombando!...
O gênio aí enseiva a geração...
E ao céu lhe erguendo os olhos flamejantes
Sob as asas de fogo aquenta as almas
Que um dia voarão.

Por que espantas-te, amigo, se tua fronte
Já de raios pejada, choca a nuvem?...
Se o réptil em seu ninho se debate?...
É teu folgar primeiro... é tua festa!...
Águias! P’ra vós cad’hora é uma tormenta,
Cada festa um combate!...

Radia!... É tempo!... E se a lufada erguer-se
Muda a noite feral em prisma fúlgido!
De teu alto pensar completa a lei!...
Irmão! – prende esta mão de irmão na minha!...
Toma a lira – Poeta! Águia! – esvoaça!
Sobe, sobe, astro rei!...

De tua aurora a bruma vai fundir-se
Águia! faz-te mirar do sol, do raio;
Arranca um nome no febril cantar.
Vem! A glória, que é o alvo de vis setas,
É bandeira arrogante, que o combate
Embeleza ao rasgar.

O meteoro real – de coma fúlgida –
Rola e se engrossa ao devorar dos mundos...
Gigante! Cresces todo dia assim!...
Tal teu gênio, arrastando em novos trilhos
No curso audaz constelações de idéias,
Marcha e recresce no marchar sem fim!...

(Castro Alves)
17:35 - 25/06/2009
Pacco
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MINH'ALMA SOB CHAMAS

Fincaram no meu aberto peito...
U’a mor ‘spada afiada em meu leito –
Atravessava minh’alma.
Sofri na assombrosa desventura,
Co’um punhal cravado na cultura,
E uma voz dizia: “calma!”

“Tu estás na amplidão dos ares...
E revolta os desmancha-prazeres –
Nos sorvedoiros da morte.
Cantes as luminosas músicas
Aos reis aflitos; ofertes exéquias –
Presenteies réquiem em corte!”

Nesses mausoléus, que a dor sufoca...
Quando o tempo escurece na broca –
Programando a liberdade...
Vejo em tod’os lados... A lousa
A cobrir-me de tredos – sem pausa –
Privando a felicidade.

Se ao menos pudesse reivindicar
Os meus concertos, e centuplicar
Os meus ávidos poemas...
Contemplaria na mor plenitude,
Todos os versos, que na virtude...
Inspirei-me sob chamas.

Paulo Costa (Pacco)
05:53 - 09/06/2009
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CONSOLO NU AVESSO

Não espereis recompensa alguma
Quando fizerdes favores a alguém.
Fareis com entusiasmo e alegria.
Não fareis por obrigação, e sim,
Pelo prazer e bondade no coração.

Sensação que alimenta a esperança,
Simplesmente pelo fato de se sentir bem,
Por estar dando o melhor de si mesmo...
Ascensão dessa bem-aventurança.

Se, porventura, precisardes de um ombro amigo...
E não fordes consolado por esta que vós consolastes;
Não vos entristeçais, pois, a falta não é vossa!
Se não tiverdes reconhecimento pelo que fizestes outrora...
Talvez seja pelo egoísmo, ou insensatez da mesma.

Quem sabe essa mesma não esteja amedrontada...
Apavorada por achar que será superada, aniquilada
Por sua própria insegurança de ser o que é?...
Ou porque não foi, não é e nunca o será! Que pena!
Pessoas inseguras têm medo de perder seus cargos,
Seus privilégios, “seus tostões no fim do mês”.

Um vazio as deixa atormentadas, incapazes de refletir.
Esse comportamento é meramente desprezível!
Os deveres do homem para com seus semelhantes,
Seriam, na verdade: a amizade, a sinceridade, a integridade...
E, acima de tudo... O amor, a compaixão e a compreensão.

Quando fizerdes favores a alguém...
Ora, não espereis em troca a benevolência;
Muito embora, recebereis a intransigência,
A ingratidão, a inconsequência, a insatisfação,
A repugnância, a comiseração e a divergência.

Não vos inquieteis com a mesquinhez
Dos ignóbeis, frágeis em sua algidez;
Algidez da estupidez, da inveja e do orgulho.
Nessa avareza ambiciosa que corrompe laços,
E, sobretudo, traz a intemperança e a infelicidade...

Mas, não vos entristeçais, porque
Dessa vida não levarão absolutamente nada!
O que deixarão aqui... Serão apenas suas obras...
E, se porventura não tiverem criado obra alguma...
Então, levarão somente as lembranças;
Isso, se não tiverem amnésia!

Paulo Costa (Pacco)
09:18 - 17/05/2009
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JAZZ BABY

Jazz, um ano inteiro de saudade,
Hoje a felicidade
Nasceu com’o sol de um lindo amanhecer.

Jazz, intensamente apaixonado,
Ser eterno enamorado,
Viver com’o som que só me dá prazer.

Nascer, viver, crescer, amar,
Cantar, sonhar, nos faz sorrir e ser feliz, baby...
Recordando você a brincar,
Tocar, beijar, voar na luz do meu olhar.

Rever o sol no amanhecer,
Quisera ser seu sonho.
Blues, jazz e mar..... baby a balançar,
Quem me dera ter seu sonho!

P’ra ver você... p’ra ver você...,
P’ra ver você amar, cantar, sonhar,
Brincar, beijar, voar...
P’ra ver você... p’ra ver você...,
P’ra ver você amar, cantar, sonhar,
Beijar, voar..... Voar.....

Paulo Costa (Pacco)
08:51 - 17/05/2009
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CRISTO É VIVER

Cristo é viver...
Eu sei que vale
A pena orar
Ao Senhor
Dos reis –
Enviado por Deus
P’ra nos salvar
E renovar nossa fé
Em nosso
Pai que,
Nos criou
P’ra louvar...

Cantar, tocar...
P’ra Te exaltar...
No céu, no mar
E toda terra
Clamar ao Senhor!

Cristo é viver...
Eu tenho muito
Amor pra louvar
Ao Senhor,
E quero sempre
Estar ao Teu lado,
Sempre Contigo
Na esperança,
Ser renovado
Em Cristo
Nosso Rei,
Nosso Pai...

Cantar, tocar...
P’ra Te exaltar...
No céu, no mar
E toda a terra
Louvar ao Senhor!

Paulo Costa e Madalena Romagnolo
20:15 - 14/05/2009
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NINGUÉM!

Não sou ninguém!
Quem me dera ser!

Não sou ninguém
O que ainda sou!

Por ser o que ainda sou...
E por não ser
O que ainda não sou...

Serei ninguém do nada?
Ou do nada serei alguém?

– Não sei!... Não sei!...

Se sou o que ainda sou...

– Ninguém!... Ninguém!...

Talvez fosse outro!?...

– Talvez!...

Se sou o que ainda fui outrora...
Vaguei!... Vaguei!...
Sonhei o que quisera ser!

Ser o ser do ser...
Seria ser o que sonhara ser?...
Ou seria ser o que ainda sou?...

Se sou o que ainda não sou...
Um dia serei!

– Será?

Ninguém, talvez...
Talvez ninguém!...

– Ninguém!

Paulo Costa (Pacco)
23:55 - 07/05/2009
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O JULGAMENTO

Chegando a hora do julgamento...
Não restará um só contentamento;
A não ser – o amor d’uma criança.

Os poderosos e descompassados,
Clamarão aos céus, mesmo calados –
Por misericórdia e esperança...

Pela recompensa dos atos seus...

Somente os anjos subirão aos céus.

Paulo Costa (Pacco)

06:11 - 07/05/2009
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TOCATA N°1 – NEOBARROCO

Minha esposa e eu, dedicamos uma Obra ao Pai Todo-Poderoso.
Tocata n°1 - para Orquestra Sinfônica.
Estilo: Neobarroco - três movimentos.
Duração: 10 minutos.

Vou tentar explicar o que houve com essa obra.
Certa vez, um “maestro” foi reger a ‘Tocata n°1’ e, na calada da noite, pediu para que seus “músicos” não respeitassem a armadura de clave e nem tampouco a divisão de compasso, quando esse mesmo fosse executar a obra. Absurdo?!
Ora, numa Orquestra Sinfônica, existem instrumentos transpositores; por esse motivo, não podemos admitir que, "regente" algum faça qualquer mudança. Ele tem que respeitar o que está escrito. Isso, se quiser executar a obra. Todo compositor é um maestro nato; pois, é ele quem escreve a regência... E sabe muito bem o que deve ou não deve ser mudado. Mas, nem todo “regente” é compositor... O máximo que um “regente” pode fazer, é um arranjo... Isso quer dizer: já pega a obra pronta e, somente vai adaptar algumas vozes ou instrumentos por causa da formação de sua Banda ou de sua Orquestra.
A Orquestra é dividida por naipes: madeiras, metais, cordas e percussão. Dependendo da obra, acrescentamos o coral (coro).
“Regentes modernos”, querem fazer mudanças a todo custo; não é por aí!

Quando um compositor escreve para um naipe de Trompas em (F) Fá, por exemplo: e se, porventura, a tonalidade estiver em (C) Dó maior em relação ao Piano... Jamais a Trompa poderá tocar nessa mesma tonalidade, e sim, em (G) Sol maior. Isso porque existe a transposição. Para que a Trompa em (F) soe a mesma nota do Piano, é preciso escrever uma quinta acima, para que soe uma quinta abaixo. Exemplo: se queremos que soe a nota (C3) Dó3, devemos escrever a nota (G3) Sol3.
Como também existem os naipes de Trompetes e Clarinetes em (Bb) Si bemol. A diferença em relação ao Piano, é que, tanto o Trompete quanto a Clarineta em (Bb) Si bemol, soa sempre um tom de diferença – um tom abaixo; para que soe (E3) Mi3, devemos escrever a nota (F#3) Fá sustenido 3; e assim sucessivamente.

“O regente torna-se responsável por decisões de interpretação como andamento, caráter, instrumento ou voz a ser destacada em determinado trecho. Torna-se responsável também pela coordenação dos ensaios, o que o obriga a conhecer previamente e muito bem a totalidade da obra, para garantir a perfeita junção das partes de cada músico. Finalmente, torna-se responsável pela marcação do tempo e das entradas mais importantes durante a execução em concerto, função a mais aparente da atividade de um maestro.”

Um “maestro” querer que, uma Orquestra não respeite a armadura de clave, e nem tampouco a divisão de compasso... No mínimo, ele está mal-intencionado; quem sabe, esse promíscuo quisesse que soasse música aleatória, música experimental, ou mesmo dodecafônica (música serial). Mas não é bem assim! Vai saber o que esse indivíduo estava querendo fazer. Na música, sem armadura de clave e sem divisão de compasso... Simplesmente vai soar... Ou melhor: não vai soar absolutamente nada do que está escrito!

Esse regente, para o qual estou me referindo, é presbítero!... Fico imaginando se não fosse!
Um certo “pastor”, da Igreja desse tal “maestro”, nos disse o seguinte: “vocês não podem dedicar uma música para Deus, porque vocês não são Evangélicos; não foram batizados na Igreja Evangélica, e, por não serem batizados, as vossas músicas são mundanas (profanas).”

Para mim, esse comentário é totalmente desprezível!
Será que, tudo isso se deu por causa da dedicatória? Será que vou ter que pedir permissão aos semideuses para poder dedicar uma música ao Pai, para Jesus, para São Miguel Arcanjo, etc.
Será que uma Obra barroca é tão ordinária, ou será que é tão divina ao ponto de causar INVEJA?... Simplesmente, por não fazer parte de uma cúpula (tirania) arbitrária, uma cúpula de idólatras, que ficam no blá, blá, blá, nos corredores da agonia (angústia), que rebate e manifesta um zunir de dor!... O som nos ares dormentes... Sonhando sonhos dementes, irrefutáveis... Colossais das ilusões desvairadas das pregações trazidas dos “reis” (...)

“Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?”
(Fernando Pessoa)

“A religião é vivida antes de tudo como uma angústia.”
(Albert Einstein)

Por ser autêntico na música, verdadeiramente autêntico!... Só quem poderá julgar-me e julgar a minha Obra musical, é Deus! Que venham as críticas dos iracundos, no fundir do desconforto... No insano clã do porto, sem esperança... Dos sorrateiros nas desvairadas ilusões... Vivemos numa divina decadência musical... Que alucina e manifesta um sombreado vocal, no caos profundo.
A opinião desses vis das vilezas perdidas... Para mim...,
“Não vai soar o menor eco”!
A Música é por si só, a Música!
Nem adianta tentar massagear o ego no descontentamento, por não entenderem o que isso significa... Música é simplesmente: inspiração, sentimento, Arte e Poesia.
“Ser ou não ser, eis a questão.” (William Shakespeare)
Aprender a sabedoria do saber, é saber que nada se sabe!

Será que esse “regente” pensa que sou “surdo”?

Composição, como disse Debussy – “Música não se faz com teorias.”
Para mim, na Música só existem três regras e duas evidências. As duas evidências, são: Melodia e Harmonia. As três regras, são: a forma de compasso para dividir os tempos (ritmo), a Armadura de Clave para designar as tonalidades (#, b), e os Acidentes ocorrentes para entrelaçar os tons. O resto é tagarelice!

Paulo Costa (Pacco)

“É mais difícil o estoicismo para um artista que para qualquer outro.”
(Beethoven)
15:42 - 03/05/2009

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